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Jão mergulha em perdas, literatura e amadurecimento artístico em "Memórias Póstumas"

Quinto álbum de estúdio do cantor reúne 14 faixas inéditas, amplia sua identidade no pop brasileiro e transforma experiências pessoais em um trabalho marcado por referências literárias, espiritualidade e experimentação sonora.

Por Redação: Glumy · 27 de jul. de 2026
Jão mergulha em perdas, literatura e amadurecimento artístico em "Memórias Póstumas"
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Pouco antes de completar dez anos de carreira fonográfica, Jão apresenta "Memórias Póstumas", seu quinto álbum de estúdio. O novo trabalho representa uma mudança de perspectiva em relação aos projetos anteriores, deixando para trás o conceito dos quatro elementos — terra, ar, água e fogo — para construir uma narrativa mais aberta, que combina experiências pessoais, referências literárias e diferentes interpretações sobre a vida, o amor e a finitude.

O disco nasceu durante um período de afastamento dos palcos e das redes sociais, marcado pela morte do pai do artista. A perda se tornou um dos principais pontos de partida para as composições, especialmente na faixa de abertura, "Catedral", que aborda o luto e a permanência da memória de quem partiu. Segundo Jão, falar sobre o pai é uma forma de mantê-lo presente, motivo pelo qual o tema atravessa diferentes momentos do álbum.

Diferentemente de seus trabalhos anteriores, "Memórias Póstumas" não foi desenvolvido de maneira linear. O cantor reuniu anotações, frases soltas e reflexões escritas ao longo do processo criativo, transformando esse material em um repertório que busca responder menos e provocar mais perguntas. Ao todo, cerca de 68 composições foram produzidas antes da seleção final das 14 faixas que integram o álbum.

O título faz referência ao clássico "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis. A influência da literatura aparece tanto na proposta conceitual quanto em versos presentes na faixa que encerra o disco, estabelecendo um diálogo entre a obra do escritor brasileiro e os temas explorados por Jão. Para o cantor, literatura e vida caminham juntas neste projeto, utilizando as palavras como ferramenta para atribuir novos significados às experiências vividas.

Foto: Hugo Comte

Musicalmente, o álbum também amplia o repertório artístico do cantor. Entre as inspirações citadas por Jão durante a produção estão "Memórias, Crônicas e Declarações de Amor", de Marisa Monte, o "MTV Acústico" do Kid Abelha e "Ray of Light", de Madonna. Essas referências ajudam a construir um trabalho que transita entre o pop contemporâneo e elementos da música brasileira, sem abandonar a identidade já consolidada pelo artista.

Jão assina a autoria de 13 das 14 músicas. O destaque fica para "João", única faixa cuja letra foi escrita exclusivamente por Pedro Tófani, diretor criativo dos shows do cantor e seu companheiro. A canção aborda o fim de um relacionamento e as expectativas interrompidas por uma separação, enquanto Jão participa da produção e da execução dos instrumentos de teclado.

Na produção musical, o artista divide os créditos principalmente com o produtor Zebu, parceiro desde o álbum "Pirata". Algumas faixas também contam com a colaboração de Janluska e Gabriel Duarte, conhecidos por trabalhos com Marina Sena e ANAVITÓRIA.

O álbum reúne ainda novos colaboradores. A multi-instrumentista Érica Silva participa tocando baixo e violão em diversas músicas, além de assinar o arranjo de cordas de "Eu Sempre Volto". Outro elemento marcante é a presença da flauta, executada por Audryn Souza, utilizada como recurso para representar momentos cotidianos e trazer delicadeza aos arranjos.

A espiritualidade também ocupa espaço importante na construção do disco. Símbolos religiosos, reflexões sobre fé e a relação entre pai e filho aparecem tanto nas letras quanto nas referências sonoras. Segundo Jão, essas imagens fazem parte de sua formação e refletem uma busca constante por compreender aspectos que considera inexplicáveis da existência.

Além das composições, "Memórias Póstumas" preserva registros pessoais do artista. Áudios gravados com familiares e amigos durante o encerramento da turnê anterior foram incorporados ao álbum como forma de eternizar vozes e lembranças.

Entre as participações especiais está a faixa "O Amor", que reúne nomes de diferentes gerações da música brasileira. A produção conta com Marco Mazzola, produtor responsável por clássicos da MPB, além da colaboração do guitarrista Rick Ferreira, conhecido por sua longa parceria com Raul Seixas, e do baixista Paulo César Barros, fundador do grupo Renato & Seus Blue Caps.

Com "Memórias Póstumas", Jão apresenta um trabalho que amplia sua liberdade criativa e aprofunda sua identidade artística. Ao transformar vivências pessoais em um repertório que dialoga com literatura, espiritualidade e música brasileira, o cantor inaugura uma nova fase de sua trajetória, marcada por maior experimentação e abertura para múltiplas interpretações.

Ouça aqui: https://umusicbrazil.lnk.to/MemoriasPostumas

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