Menos de 24 horas foram suficientes para mudar completamente o cenário ao redor de Machine Gun Kelly no Brasil. Depois de se apresentar no Rock in Rio, no sábado (5), o artista desembarcou em São Paulo no domingo (6) para seu primeiro show solo na cidade — e encontrou na Audio uma plateia que conhecia suas músicas, acompanhava suas diferentes fases e estava pronta para cantar cada palavra.
A apresentação fazia parte da “Lost Americana Tour”, baseada no álbum Lost Americana, lançado em 2025, mas foi muito além de uma simples divulgação do trabalho mais recente. Ao longo da noite, MGK percorreu diferentes momentos de sua carreira, transitando entre o rap que marcou seus primeiros anos, a fase mais experimental e a transformação definitiva em um dos nomes associados ao pop punk contemporâneo.
A própria configuração da noite ajudou a criar essa atmosfera. O show havia sido inicialmente anunciado para o Espaço Unimed, mas acabou transferido para a Audio em agosto. A mudança colocou o artista em um ambiente mais compacto e próximo do público, algo que acabou se refletindo diretamente na dinâmica da apresentação.
Uma noite feita para os fãs
Logo nos primeiros minutos, ficou evidente que aquela não seria uma apresentação em que MGK precisaria convencer o público a estar ali. A resposta da plateia foi intensa, com pessoas cantando, pulando e formando rodas durante diferentes momentos do repertório.
O repertório também ajudou a manter essa conexão. “FIX UR FACE”, “Wild Boy” e “El Diablo” recuperaram diferentes momentos da trajetória do artista, enquanto músicas como “I Think I’m OKAY”, “bloody valentine”, “my ex’s best friend” e “forget me too” levaram a Audio de volta à fase que consolidou MGK no universo do pop punk.
Mesmo com a turnê apresentando seu trabalho mais recente, o artista não ficou preso ao presente. A escolha de revisitar diferentes discos tornou a apresentação quase uma retrospectiva de sua própria transformação musical — do rapper ao cantor que passou a ocupar um espaço importante dentro do pop punk.
Dois momentos que roubaram a cena
Entre guitarras, refrões e rodas de mosh, os momentos de interação com os fãs ajudaram a tornar a noite ainda mais especial.
MGK chamou fãs para participarem do espetáculo e conversou diretamente com o público em diferentes momentos. A proximidade proporcionada pela Audio fez com que essas interações parecessem menos ensaiadas e mais espontâneas, criando uma sensação de troca constante entre palco e pista.
A relação com os fãs, aliás, foi um dos elementos mais marcantes da apresentação. Mais do que simplesmente executar o repertório, MGK pareceu interessado em aproveitar a proximidade para transformar o show em uma experiência compartilhada.
De uma plateia dividida a uma casa completamente entregue
O contraste com o Rock in Rio acabou inevitavelmente fazendo parte da leitura do show em São Paulo.
No festival, realizado um dia antes, MGK encontrou uma plateia muito mais heterogênea, parte dela formada por pessoas que aguardavam outras atrações. Na Audio, a situação era outra.
Ali estavam fãs que haviam comprado ingressos para vê-lo, que conheciam sua trajetória e que estavam familiarizados com as diferentes versões do artista. O resultado foi uma apresentação muito mais espontânea, na qual a energia vinha dos dois lados do palco.
Não se tratava necessariamente de uma resposta ao Rock in Rio, mas de uma demonstração de como o contexto pode mudar completamente a percepção de um mesmo artista. Em São Paulo, MGK não precisava disputar a atenção da plateia. Ele já tinha a atenção dela.
Um show que abraçou todas as fases de MGK
A força da apresentação esteve justamente na ausência de uma única definição para Machine Gun Kelly.
Em determinados momentos, ele era o rapper de “Wild Boy” e “El Diablo”. Em outros, assumia completamente a persona pop punk de “Tickets to My Downfall”, passando por “drunk face”, “bloody valentine”, “kiss kiss” e “concert for aliens”. Também houve espaço para músicas de mainstream sellout, como “my ex's best friend”, “forget me too”, “emo girl” e “papercuts”, além das faixas mais recentes de Lost Americana.
Até “Danza Kuduro”, de Don Omar, apareceu no meio do repertório, em uma escolha que resumiu bem a imprevisibilidade do artista durante a noite.
No fim, talvez a mudança do Espaço Unimed para a Audio tenha produzido um efeito inesperado. Em termos de escala, o espetáculo ficou menor. Em termos de proximidade, ganhou força.
A casa mais compacta colocou MGK diante de um público muito mais próximo e permitiu que a apresentação fosse construída menos pela grandiosidade da estrutura e mais pela reação das pessoas.
E foi essa reação que definiu o domingo.
Um dia depois de encontrar resistência em um grande festival, Machine Gun Kelly encontrou em São Paulo algo diferente: uma casa cheia de fãs dispostos a cantar, pular e viver cada fase de sua carreira ao lado dele. Na Audio, o tamanho do palco importou menos do que a distância entre artista e público — e essa distância, naquela noite, praticamente desapareceu.
Setlist — Machine Gun Kelly na Audio, em São Paulo
FIX UR FACE
outlaw overture
maybe
starman
Wild Boy
El Diablo
F*CK YOU, GOODBYE — cover de The Kid LAROI
I Think I'm OKAY
goddamn
can’t stay here
title track
drunk face
bloody valentine
kiss kiss
concert for aliens
nothing inside
Acoustic
times of my life
love race / sid & nancy / 27 / Free Fallin'
Danza Kuduro — cover de Don Omar
Glass House
make up sex
my ex's best friend
forget me too
emo girl
5150
jawbreaker
DAYWALKER
papercuts
miss sunshine
lonely
cliché
vampire diaries
Fonte setlist: https://www.setlist.fm/setlist/mgk/2026/audio-sao-paulo-brazil-6b700afa.html

