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Laufey leva jazz, romance e bossa nova ao Espaço Unimed em São Paulo

Em sua segunda passagem por São Paulo, cantora islandesa-chinesa apresentou a turnê A Matter of Time para cerca de oito mil pessoas e encerrou sua passagem pelo Brasil com um repertório que atravessa jazz, pop, música clássica e bossa nova

Por Redação Glumy · 10 de set. de 2026
Laufey leva jazz, romance e bossa nova ao Espaço Unimed em São Paulo
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Laufey encerrou sua passagem pelo Brasil na noite desta quarta-feira (9), em São Paulo, com uma apresentação no Espaço Unimed que reuniu cerca de oito mil pessoas. Depois de conquistar o público do Rock in Rio, no Rio de Janeiro, dois dias antes, a cantora islandesa-chinesa voltou aos palcos brasileiros para apresentar seu espetáculo solo da “A Matter of Time Tour: The Final Shows”.

O show marcou uma ocasião especial para os fãs brasileiros. Além de ser uma das últimas apresentações da atual turnê de Laufey, a passagem por São Paulo aconteceu poucos dias depois de sua estreia no Rock in Rio, onde a artista havia feito uma declaração de amor à música brasileira ao interpretar “Perdido de Amor”, de Luiz Bonfá, em português.

A relação da cantora com o Brasil, porém, não começou no Rock in Rio. Laufey já havia passado por São Paulo em 2025, durante o Popload Festival, quando começou a construir uma base de fãs bastante fiel no país. Em 2026, o retorno aconteceu em uma escala ainda maior, com uma apresentação solo e um público que acompanhou em coro músicas de diferentes momentos de sua carreira. A própria Billboard Brasil destacou, antes do espetáculo, o crescimento do fandom brasileiro da artista.

Uma noite para ouvir cada detalhe

Diferentemente da experiência de um festival, o show no Espaço Unimed permitiu que Laufey apresentasse sua proposta artística de maneira mais completa. A cantora levou ao palco a combinação que se tornou sua assinatura: jazz, pop, música clássica e elementos de bossa nova, criando uma atmosfera mais intimista mesmo diante de milhares de pessoas.

A apresentação começou com “Clockwork”, seguida por “Lover Girl” e “Dreamer”. Na sequência vieram alguns dos maiores sucessos da cantora, como “Falling Behind”, “Silver Lining”, “Bored” e “Too Little, Too Late”.

O repertório também percorreu seu trabalho anterior. “Bewitched”, “Haunted”, “Valentine”, “Fragile” e “Let You Break My Heart Again” apareceram entre os momentos mais contemplativos da noite.

O espetáculo ainda reservou espaço para um clássico do jazz. Laufey incluiu “Old Devil Moon”, composição de Burton Lane, em uma passagem instrumental que reforçou uma das características mais marcantes de seu trabalho: aproximar canções e sonoridades de outras épocas de uma nova geração de ouvintes. O repertório registrado para São Paulo também incluiu “Carousel”, “Forget-Me-Not”, “Madwoman”, “Promise”, “Goddess”, “Snow White”, “From the Start”, “Sabotage” e “Letter to My 13 Year Old Self”.

Do jazz à bossa nova

A conexão de Laufey com a música brasileira ganhou ainda mais força durante sua passagem pelo país.

No Rock in Rio, a artista contou à Folha de S.Paulo que cantar uma música em português seria sua “carta de amor” ao Brasil. A escolha por “Perdido de Amor”, de Luiz Bonfá, foi recebida com entusiasmo pelo público e evidenciou uma relação que vai além de uma simples referência estética. Laufey já falou diversas vezes sobre sua admiração por nomes fundamentais da bossa nova, como João Gilberto e Astrud Gilberto.

A artista também explicou que vê a música brasileira como uma importante fonte de inspiração para sua própria carreira. Para ela, a bossa nova consegue combinar melancolia e leveza de uma maneira particularmente especial — característica que conversa diretamente com suas próprias composições.

Essa influência ajudou a transformar Laufey em uma espécie de ponte entre gerações: uma artista jovem que apresenta jazz, música clássica e bossa nova para uma audiência formada, em grande parte, por jovens que descobriram esses gêneros através de suas músicas.

“From the Start” e o coro do público

Entre os momentos mais aguardados da noite esteve, naturalmente, “From the Start”, um dos maiores sucessos de Laufey e uma das músicas responsáveis por ampliar mundialmente sua popularidade.

A faixa apareceu já na reta final do espetáculo, depois de “Snow White”, preparando o terreno para uma sequência que também contou com “Sabotage” e “Letter to My 13 Year Old Self”.

O contraste entre momentos grandiosos e passagens mais delicadas foi um dos elementos centrais do espetáculo. Laufey transita com naturalidade entre canções pop de grande alcance e arranjos que preservam a sofisticação do jazz e da música clássica.

Uma artista que transformou o jazz em fenômeno pop

A apresentação em São Paulo também funciona como retrato do momento vivido por Laufey.

A artista de 27 anos ganhou projeção mundial ao construir uma carreira baseada justamente na combinação entre referências consideradas tradicionais e uma linguagem acessível ao público contemporâneo. Segundo o Espaço Unimed, ela já ultrapassou 4,25 bilhões de streams globais e soma uma audiência de aproximadamente 23 milhões de pessoas nas redes sociais. Seu trabalho também alcançou destaque na Billboard, recebeu certificações de platina e rendeu reconhecimento da Forbes e da TIME.

Vencedora do GRAMMY, Laufey se tornou um dos principais nomes da atual geração a apresentar jazz e música clássica a uma audiência jovem. Em entrevista à Billboard Brasil, ela afirmou que não pretende simplesmente reproduzir a música do passado, mas utilizá-la como uma porta de entrada para que novas gerações descubram esses estilos.

Essa proposta ficou evidente em São Paulo. Ao lado de suas próprias composições, Laufey apresentou um repertório que dialoga com standards e diferentes tradições musicais sem transformar o espetáculo em uma simples viagem nostálgica.

O encerramento de uma passagem especial pelo Brasil

O show no Espaço Unimed também teve um peso simbólico: ele encerrou a passagem de Laufey pelo Brasil em 2026.

A cantora chegou ao país para o Rock in Rio e, depois da apresentação no festival, seguiu para São Paulo para um espetáculo pensado especificamente para o formato de sua turnê. A própria artista havia antecipado que o show paulistano seria diferente daquele apresentado no festival, justamente por permitir que ela retomasse a estrutura completa de A Matter of Time Tour.

A escolha de São Paulo para uma das apresentações finais da turnê reforçou ainda a importância que o Brasil ganhou na trajetória recente da artista. Em poucos anos, Laufey passou de uma atração cultuada por um público específico para uma artista capaz de lotar uma casa de shows de grande porte e reunir milhares de fãs cantando suas músicas em coro.

No Espaço Unimed, essa conexão ficou ainda mais evidente.

Entre arranjos de jazz, referências à bossa nova, canções sobre amor, insegurança, amadurecimento e autodescoberta, Laufey encerrou sua passagem pelo país mostrando por que conseguiu transformar uma sonoridade aparentemente distante do pop contemporâneo em um fenômeno global.

Mais do que apresentar A Matter of Time, a noite em São Paulo funcionou como uma celebração da própria trajetória da artista — e, principalmente, da relação que ela vem construindo com o público brasileiro

Setlist — Laufey no Espaço Unimed, em São Paulo

Act I

1. Clockwork
2. Lover Girl
3. Dreamer
4. Falling Behind
5. Silver Lining
6. Bored
7. Too Little, Too Late
8. Bewitched (versão instrumental com quarteto de cordas)

Act II
9. Old Devil Moon (cover de Burton Lane)
10. Haunted
11. Valentine
12. Fragile
13. Let You Break My Heart Again

Act III
14. Carousel
15. Forget-Me-Not
16. Cuckoo Ballet (Interlude)

Act IV
17. Mr. Eclectic
18. Madwoman
19. Castle in Hollywood
20. Promise
21. Goddess
22. Tough Luck
23. Snow White
24. From the Start

Act V
25. Sabotage

Encore
26. How I Get (música surpresa)
27. Letter to My 13 Year Old Self

Fonte setlist:https://www.setlist.fm/setlist/laufey/2026/espaco-unimed-sao-paulo-brazil-b75c196.html

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