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Por que Laufey é uma das escolhas mais interessantes do Rock in Rio 2026?

Por Yasmin Fernandes · 28 de jul. de 2026
Por que Laufey é uma das escolhas mais interessantes do Rock in Rio 2026?
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Quando o Rock in Rio anunciou sua programação para o dia 7 de setembro de 2026, muitos olhares naturalmente se voltaram para nomes consagrados como Elton John e Gilberto Gil. No entanto, entre artistas com trajetórias já estabelecidas e legados que atravessam gerações, uma presença chama atenção por um motivo diferente. Laufey não é artista mais popular do line-up, tampouco tem a carreira mais longa dali, mas a sua participação talvez represente uma das discussões mais interessantes que a música vive atualmente.

Em um cenário cada vez mais acelerado, dominado por tendências instantâneas e sucessos que desaparecem na mesma velocidade com que surgem, a artista construiu sua trajetória apostando justamente no caminho oposto. A cantora e compositora islandesa-chinesa transformou elementos tradicionalmente associados ao jazz, à música clássica e à bossa nova em algo capaz de dialogar com uma geração que cresceu consumindo conteúdo em poucos segundos por vez.

E isso não é pouca coisa!

Ao longo dos últimos anos, a artista se tornou um fenômeno difícil de encaixar em uma única categoria. Enquanto parte da indústria musical ainda tenta entender como classificar seu trabalho, milhões de ouvintes já encontraram nas suas canções uma porta de entrada para sonoridades que, até pouco tempo atrás, pareciam distantes do consumo mainstream. Não por acaso, o álbum Bewitched, lançado em 2023, rendeu à cantora o Grammy de Melhor Álbum Vocal Pop Tradicional em 2024 e consolidou seu nome entre os artistas mais observados da nova geração.

O mais interessante, porém, não está apenas nos números ou nos prêmios. Está na forma como Laufey ocupa um espaço que parecia improvável. Em vez de adaptar completamente sua música às tendências do momento, ela fez o movimento contrário e trouxe referências consideradas antigas para o centro das conversas contemporâneas. De repente, arranjos orquestrais, harmonias inspiradas no jazz e influências da música de câmara passaram a circular nas mesmas redes sociais que impulsionam hits virais e fenômenos do pop.

Talvez seja justamente por isso que sua presença no Rock in Rio faça tanto sentido...

Historicamente, o festival sempre funcionou como um retrato das transformações da música popular. Além de reunir grandes artistas, suas edições costumam registrar mudanças de comportamento, tendências de mercado e novos movimentos culturais. Nesse contexto, a escolha de Laufey parece menos uma aposta alternativa e mais o reconhecimento de uma artista que representa uma mudança real na forma como o público se relaciona com a música.

Sua participação ganha ainda mais significado quando observamos o restante da programação do dia. Dividir o mesmo espaço que nomes como Elton John, Gilberto Gil e Jon Batiste cria uma conexão quase simbólica entre diferentes gerações de artistas que encontraram maneiras próprias de dialogar com a tradição sem se prender a ela. Cada um à sua maneira ajudou (ou continua ajudando) a provar que inovação não significa necessariamente abandonar o passado.

Laufey talvez seja a representante mais recente dessa ideia.

Existe também um fator especialmente interessante para o público brasileiro. Ao longo de entrevistas e apresentações, a cantora já demonstrou admiração por influências que passam pela música brasileira, especialmente pela bossa nova. Essa proximidade estética torna sua estreia no Rock in Rio ainda mais curiosa, considerando que ela se apresentará em um país cuja história musical ajudou a moldar parte das referências presentes em seu trabalho. Ela representa um encontro entre diferentes tempos da música.

Em uma edição que reúne lendas da música e alguns dos maiores nomes da atualidade, Laufey não aparece como a escolha mais óbvia do line-up. E talvez seja exatamente aí que esteja sua força. Em um festival acostumado a celebrar grandes fenômenos, poucas atrações parecem representar tão bem as mudanças culturais dos últimos anos quanto uma artista que conseguiu convencer milhões de pessoas de que jazz, música clássica e delicadeza ainda têm espaço no centro da conversa.

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