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Phoebe Bridgers retorna para apresentar os garotos perdidos

Por Luiza Aridio · 23 de jul. de 2026
Phoebe Bridgers retorna para apresentar os garotos perdidos
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O que pode mudar em seis anos? No caso de Phoebe Bridgers, enquanto ainda não havia notícias sobre seu terceiro álbum de estúdio, a cantora acompanhou as transformações do mundo de forma mais discreta, mas nunca esteve realmente parada. Desde o lançamento de Punisher (2020), viu sua carreira tomar novos rumos com o fenômeno do Boy Genius ao lado das amigas Lucy Dacus e Julien Baker, foi a responsável por trazer vida aos palcos da abertura da The Eras Tour com set de abertura em alguns shows e trabalhou na produção e colaboração de diversos projetos.

Antes desse novo capítulo, Bridgers já havia construído um universo próprio. Em Stranger in the Alps (2017) e Punisher (2020), a melancolia virou paisagem. Ela nos levou para algum lugar na Alemanha, para um dia comum em Kyoto e para todos os espaços onde a melancolia embalada por um som indie começou a fazer parte das playlists e vida mundana de diversas pessoas ao redor do mundo.

Agora, o destino é outro. Em vez de nos prender a um lugar físico, Phoebe parece convidar seus fãs de longa data e novos ouvintes para um espaço ainda mais interno.

O retorno

Para encerrar o hiato a melhor opção foi um retorno discreto. Entre maio e junho, realizou uma série de apresentações intimistas em diferentes cidades dos Estados Unidos. Os shows contavam com uma regra incomum: celulares, câmeras e qualquer outro aparelho eletrônico eram proibidos, nem o combo clássico, papel e caneta puderam estar presentes nesses eventos. A iniciativa ofereceu aos fãs um primeiro vislumbre do que está por vir, longe das telas e das redes sociais. Durante essas apresentações, quem esteve presente encontrou diversas peças de um quebra-cabeça espalhadas pelos locais. Durante semanas, surgiu a teoria de que elas revelariam a capa do novo álbum, o que acabou não se confirmando. Ainda assim, muitos acreditam que a arte formada pelas peças poderá aparecer em algum momento fazendo parte de um item colecionável ou brinde. 

Comentário de fã sobre encontro das peças durante o show 

- Rede Social X( Twitter)

Na sequência, Phoebe subiu ao palco do Madison Square Garden, em Nova York, para uma apresentação beneficente. Toda a arrecadação foi destinada à Immigration Bond Freedom Fund, organização que reúne recursos para pagar fianças e ajudar a libertar pessoas detidas pelo serviço de imigração dos Estados Unidos (ICE).

Começo da próxima era

O novo álbum recebeu o nome Lost Weekend. Rapidamente, aqueles fãs da cantora que também são Beatlemaníacos fãs do grupo de Liverpool passaram a especular que o título faz referência ao período conhecido como "Fim de Semana Perdido", vivido por John Lennon entre 1973 e 1975, quando esteve separado de Yoko Ono. Embora não exista confirmação, não seria a primeira vez que Phoebe faz menção a um dos maiores nomes da história da música.

O disco chega em 14 de agosto com 16 faixas e Lost Boys foi escolhido como primeiro single. A música reúne um time de colaboradores de peso em seus créditos, incluindo Bo Burnham, Alex G, Christian Lee Hutson, Marshall Vore, Jack Antonoff, Tony Berg, Ethan Gruska e Harrison Whitford, além de Lucy Dacus e Julien Baker.

A composição apresenta um cenário em que os chamados "garotos perdidos" desejam nunca crescer, tentando escapar das dores e responsabilidades que inevitavelmente chegam com a vida adulta. Outra leitura possível também relaciona a letra a uma juventude marcada pela militarização e pelos conflitos, em que muitos jovens perdem a inocência cedo demais.

A canção abraça aqueles que temem enfrentar as responsabilidades da maturidade e, por isso, buscam refúgio em um universo imaginário onde ninguém cresce ou sofre. Um lugar que contrasta com o mundo descrito por Phoebe, onde jovens precisam cortar o cabelo, portar documentos e aprender a conviver com armas, como canta no verso: "To another life where they make you cut your hair / Impatient with a rifle and your papers."

Em outro momento, ao cantar "This machine is killing me / I pretended it was make-believe", Phoebe aproxima sua narrativa da realidade atual, sugerindo uma reflexão sobre a tecnologia como forma de escapismo e sobre a tentativa constante de transformar a realidade em fantasia.

O lançamento também ganhou um videoclipe, que já soma cerca de 1,2 milhão de visualizações no YouTube. Dirigido por Lance Oppenheim e Pablo Rochat, o vídeo aposta em uma estética medieval, com armaduras, espadas e figurinos que remetem a universos de fantasia, criando um contraste curioso ao misturar esses elementos com carros, motocicletas e videogames. 

É difícil assistir ao clipe sem pensar em Peter Pan e nos Garotos que a clássica história nos apresentou. A associação ganha ainda mais força com a presença de Skyler Gisondo, que interpreta um funcionário de um posto de gasolina encantado por Phoebe em sua versão quase mitológica. Em outro momento no início de sua carreira, o ator viveu um dos meninos perdidos no grupo de Peter na série Once Upon A Time ( Era Uma Vez).

O que esperar do álbum

As informações oficiais ainda são poucas, mas todo o material divulgado até agora indica que Phoebe olha para o espaço não como um lugar distante e sim como uma forma de falar sobre aquilo que continua impossível de explicar aqui na Terra. As imagens de divulgação reforçam essa atmosfera, aproximando o disco de uma estética extraterrestre.

Depois de cantar sobre a Lua, outros astros e satélites em outro momento da carreira, parece ter chegado a hora de mergulhar de vez em temas como universo, criaturas, vazio e tudo aquilo que existe além da nossa compreensão.

A nova turnê começa em setembro, em Indianápolis, com participação de Alex G, e segue até dezembro, encerrando a etapa anunciada em Estocolmo, na Suécia. Até o momento, não há qualquer indicação de uma passagem pelo Brasil.

Vale lembrar que como bônus, um jogo e um toque de celular foram lançados e  podem ser encontrados no site oficial da artista no link a seguir: Confira aqui

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