Seis anos depois de Punisher (2020), Phoebe Bridgers retorna com Lost Weekend, lançado nesta sexta-feira (14). O novo álbum reúne 16 faixas que passam por diferentes sonoridades e misturam elementos eletrônicos com uma produção mais íntima. Ao longo do disco, a cantora fala sobre o que permanece depois das mudanças: relacionamentos que acabam, pessoas que viram lembrança e versões nossas que já não existem.
Bo Burnham, Alex G, Christian Lee Hutson, Marshall Vore, Jack Antonoff, Tony Berg, Ethan Gruska, Harrison Whitford, Lucy Dacus e Julien Baker são alguns dos nomes que aparecem nos créditos do projeto, entre produção, composição, instrumentação e colaborações. A voz de Son John-Johnson, creditada em uma das faixas, também foi associada por fãs ao cantor Cameron Winter, embora a identificação não tenha sido oficialmente confirmada.
A nova fase também aparece na estética de Phoebe. Se as roupas de esqueleto e os ternos com gravata marcaram seus projetos anteriores, agora a cantora aposta em uma atmosfera mais cósmica e silenciosa. A imagem acompanha a proposta do álbum, que parece observar memórias e acontecimentos como quem olha para a própria vida de longe.

Existe uma melancolia muito própria nas músicas de Phoebe. Grandes tragédias não são necessárias para falar sobre tristeza. Muitas vezes, tudo começa com coisas pequenas: uma ligação que não acontece mais, uma foto encontrada por acaso, uma camiseta esquecida no quarto ou o caminho de volta para casa depois de uma noite que não saiu como esperado. Seguindo esse caminho, a narrativa do álbum apresenta um desafio bastante humano: lidar com os sentimentos.
A faixa de abertura, The Outside, mostra esse novo momento. A voz aparece filtrada e distante, quase como uma mensagem vinda de outro planeta. Phoebe parece estar do lado de fora, tentando entender onde se encaixa. Em Liberty Tree, a memória ganha o papel principal. A música fala de uma viagem, uma discussão, um aeroporto e duas pessoas que ainda acreditavam que aquela história continuaria. Aos poucos, porém, aparecem os sinais de que aquilo não era tão perfeito e eterno quanto parecia.
A ideia em Lost Weekend é mostrar que a memória nem sempre guarda exatamente o que aconteceu, mas o que sentimos. Podemos sentir falta de uma noite que, na época, só queríamos que acabasse. De uma casa onde não éramos felizes. De alguém que já não faz parte da nossa vida. Não necessariamente porque queremos voltar, mas porque aquele momento também faz parte de quem fomos. Haunted segue por esse caminho. A música mostra como algumas lembranças continuam com a gente mesmo quando tudo muda. Podemos mudar de cidade, cortar o cabelo, trocar de roupa e começar uma vida nova. Algumas memórias, ainda assim, sabem exatamente como voltar.
“Não tenho segredos, só sentimentos
E sei que eles vão embora.”

A frase resume uma das ideias mais bonitas do álbum: sentimentos também mudam. Mesmo aqueles que parecem grandes demais para acabar um dia passam. Isso não faz com que tenham sido menos importantes. Só mostra que a vida continua mudando. Still Standing é um dos momentos mais pessoais do disco. Phoebe fala sobre a relação com o pai e sobre uma saudade que não vem sozinha. Existe amor, mas também existe dor.
“Às vezes eu quero você de volta
Mas não hoje.”
É simples para um sentimento difícil. Nem toda perda traz apenas saudade. Algumas também deixam raiva, culpa, alívio e a vontade de seguir sem voltar para aquilo que machucou. Em Never Going Back!, essa vontade aparece de forma mais direta. A música fala sobre não voltar para o que fez mal e não abrir novamente uma porta que demoramos para fechar. Até que, no final, uma gravação interrompe a música:
“Hey Phoebe, it’s your dad.”

Por alguns segundos, tudo muda. Não estamos apenas ouvindo Phoebe falar sobre o passado. Estamos ouvindo uma filha escutar a voz de alguém que já não está ali. É um detalhe pequeno, mas uma voz antiga pode trazer uma lembrança inteira de volta.
I Can’t Wait apresenta um pouco de esperança. Não é a esperança de quem encontrou todas as respostas, mas a vontade simples de chegar ao amanhã e descobrir o que ele pode trazer.
As Above, que encerra o álbum, olha para esse amanhã. Hospitais, aviões, mães e medos aparecem ao lado de uma vontade muito simples: continuar aqui, ver mais um dia e fazer algumas coisas antes que seja tarde.
“Não, eu não quero viver pra sempre, mas não quero morrer.”
Lost Weekend não tenta dar respostas para aquilo que ficou para trás. Phoebe transforma saudade, memórias e versões antigas de si mesma em parte de uma história que ainda está acontecendo. Estar perdida, aqui, não significa não ter direção, mas aceitar que alguns caminhos só aparecem enquanto estamos andando.
Nota: 9/10
O álbum está disponível nas plataformas de streaming, e a faixa I Can’t Wait também ganhou um clipe oficial.

