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Interpol lança novo álbum, “This Mirror Weighs a Ton”, após quatro anos

Sétimo álbum de estúdio da banda marca estreia pela Partisan Records e amplia a sonoridade do grupo com novas texturas e instrumentos

Por Igor Rogh · 29 de ago. de 2026
Interpol lança novo álbum, “This Mirror Weighs a Ton”, após quatro anos
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O Interpol lançou nesta sexta-feira, em agosto de 2026, seu novo álbum de estúdio, “This Mirror Weighs A Ton”. O trabalho chega quatro anos após o disco anterior da banda e marca a estreia do grupo na Partisan Records. Junto ao lançamento, o trio também apresentou um videoclipe para “Wings On Fire”, uma das faixas do novo projeto.

Ouça “This Mirror Weighs A Ton” aqui

Produzido por Andrew Wyatt, vencedor de Grammy e Oscar e conhecido por trabalhos com artistas como ROSALÍA e Charli xcx, o álbum teve mixagem de David Fridmann, que já trabalhou com nomes como The Flaming Lips e Tame Impala. O disco foi gravado no estúdio de Wyatt, o Arcos, localizado no Lower East Side, em Manhattan.

O novo trabalho representa uma expansão da linguagem musical construída pelo Interpol ao longo de sua trajetória. Embora mantenha elementos associados à identidade da banda, como a atmosfera, as linhas de baixo e guitarra e a precisão rítmica, o álbum incorpora instrumentos e recursos que ganharam maior espaço na produção do grupo, incluindo cordas, sopros, violões acústicos, sintetizadores, vocais em camadas e experimentações de design de som.

A faixa-título abre o álbum e estabelece essa proposta. A música parte de uma estrutura inicialmente simples e ganha camadas de baixo, texturas eletrônicas e uma voz feminina sem palavras. Segundo o material de apresentação do disco, a composição funciona como uma introdução à ideia de expansão que atravessa o projeto, sem abandonar completamente as características que marcaram o som do Interpol.

Entre as faixas, “See Out Loud” recupera elementos associados aos primeiros trabalhos da banda e traz uma participação vocal incomum de Daniel Kessler. Já “So Rides the Reindeer” tem uma particularidade dentro da discografia do grupo: é a primeira música do Interpol construída a partir de um violão acústico. “Wake Up”, por sua vez, incorpora uma abordagem percussiva diferente, enquanto “Sudden”, conduzida pelo piano, encerra o álbum.

“Wings On Fire”, escolhida como faixa de destaque para o lançamento, retoma uma combinação tradicional do Interpol entre baixo e guitarra. A música também explora diferentes registros vocais de Paul Banks, elemento que aparece de maneira recorrente no novo disco.

Capa do álbum

A produção também contou com a participação do baixista Brad Truax, músico que acompanha o Interpol em turnês há anos. Pela primeira vez, Truax participou tanto das gravações quanto da composição de um álbum da banda, juntando-se à formação criativa centrada em Banks, Kessler e Sam Fogarino.

A relação entre os três integrantes permanece fundamental para o processo de criação. Kessler desenvolve as composições inicialmente na guitarra, enquanto Banks trabalha posteriormente as melodias e letras a partir do material apresentado. Para Kessler, a dinâmica continua funcionando mesmo após décadas de trajetória conjunta, mantendo a capacidade de produzir novas ideias.

O processo de criação de “This Mirror Weighs A Ton” também coincidiu com um momento importante da história recente do grupo. Em abril de 2024, o Interpol realizou seu maior show até então, diante de mais de 200 mil pessoas no Zócalo, na Cidade do México. Nos dias que antecederam a apresentação, a banda já havia iniciado o trabalho com Andrew Wyatt em Nova York.

A escolha de gravar o álbum em Nova York também teve um significado particular para o grupo. Foi a primeira vez em muitos anos que o Interpol produziu um disco em sua cidade de origem, aproximando o processo atual das raízes da banda enquanto as novas composições avançavam para territórios sonoros diferentes.

O próprio Wyatt descreveu seu trabalho como uma tentativa de preservar a definição das partes criadas pelos integrantes e, ao mesmo tempo, acrescentar novas dimensões sonoras às músicas. A colaboração resultou em uma produção que utiliza elementos de pop, orquestração e design de som experimental sem colocar esses recursos acima das composições.

Além das mudanças musicais, o título do álbum está ligado a uma reflexão sobre identidade e autorreflexão. A expressão “This mirror weighs a ton” funciona como uma metáfora para o peso de confrontar a própria vida interior, tema que aparece de diferentes maneiras ao longo das faixas.

A identidade visual do projeto acompanha essa proposta. A capa foi criada pela artista Addie Wagenknecht a partir de uma obra que integra atualmente o acervo permanente do Whitney Museum, explorando conceitos relacionados a identidade, distorção e percepção.

Com “This Mirror Weighs A Ton”, o Interpol chega a uma nova fase de sua trajetória sem abandonar os elementos fundamentais de sua identidade. O álbum combina estruturas reconhecíveis da banda com novas possibilidades de instrumentação e produção, refletindo o momento de um grupo que se aproxima de três décadas de carreira e continua ampliando sua abordagem musical.

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