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Entrevistas

Bullet Bane leva “o Agora Que Cobra Viver” a Londrina

Em sua estreia na cidade, a banda misturou músicas novas, clássicos e muita conexão com o público.

Por Gislene Ana · 19 de ago. de 2026
Bullet Bane leva “o Agora Que Cobra Viver” a Londrina
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Pela primeira vez em solo londrinense, o Bullet Bane se apresentou no Rocha's Rock Bar durante o Colisão Sounds, levando à cidade a turnê de O Agora Que Cobra Viver, álbum que marca uma nova fase na trajetória da banda.

Lançado em 29 de maio de 2026, o disco reúne 12 faixas e apresenta a atual formação do grupo: Lucas Guerra nos vocais, Danilo Souza e Fernando Uehara nas guitarras, Rafael Goldin no baixo e Andrew Lee na bateria.

Mas quem estava no Rocha's não encontrou apenas uma banda apresentando um álbum novo. O show também foi uma oportunidade de revisitar diferentes momentos da trajetória do Bullet Bane.

Faixas mais antigas dividiram espaço com as músicas de O Agora Que Cobra Viver, reacendendo a energia do público, que participou intensamente durante toda a apresentação. Teve mosh, fãs se jogando do palco, gente cantando a plenos pulmões e também momentos de emoção.

Em um ambiente mais próximo e intimista, era possível enxergar a reação das pessoas de perto. E isso tornou ainda mais evidente uma característica que o próprio Bullet Bane destacou durante a entrevista feita pela Glumy: a importância da conexão entre banda e público.

Um álbum feito para ser ouvido inteiro

O Agora Que Cobra Viver chama atenção pela forma como suas faixas se conectam e constroem uma experiência completa. É um daqueles discos que convidam o ouvinte a percorrê-lo do início ao fim, em vez de funcionar apenas como uma sequência de músicas independentes.

O álbum começa com bastante intensidade, encontra momentos mais tranquilos e volta a crescer ao longo da sequência. São diferentes sonoridades convivendo dentro do mesmo trabalho, mas sem que o disco perca sua identidade.

E essa diversidade foi intencional.

Durante a entrevista, o vocalista Lucas Guerra explicou que a proposta de O Agora Que Cobra Viver era reunir diferentes momentos da trajetória do Bullet Bane em um mesmo trabalho, sem abrir mão de uma sonoridade mais moderna.

“A gente queria que a pessoa absorvesse diferentes propostas que a gente colocou dentro do álbum.”

A banda buscou revisitar sonoridades presentes em trabalhos anteriores e combiná-las com elementos mais atuais, mas sem perder a unidade do disco. Como Lucas resume:

“A gente queria ter essa mistura, mas uma mistura que fizesse sentido.”

Essa proposta também aparece na dinâmica do álbum, que alterna momentos de maior intensidade com passagens mais tranquilas:

“Ele começa lá em cima, ele fica mais tranquilo e depois volta. Essa era a ideia.”

Essa construção é um dos pontos fortes do disco. O Agora Que Cobra Viver é um álbum que convida a uma audição completa, sem a necessidade de pular faixas. A cada música, uma nova atmosfera surge, mas a mensagem permanece conectada ao longo de toda a experiência.

O que acontece quando o disco encontra o palco?

Depois do lançamento de um álbum, existe sempre uma diferença entre aquilo que foi pensado dentro do estúdio e aquilo que acontece quando as músicas encontram uma plateia.

A banda também falou sobre como a recepção do público influenciou a maneira como os integrantes entram no palco.

A resposta do baterista Andrew Lee foi que, depois das primeiras levas de shows e de perceberem que as pessoas estavam realmente consumindo e gostando das novas músicas, surgiu uma sensação maior de tranquilidade.

“A gente entra com mais leveza, porque a gente sabe que a galera tá curtindo.”

A mudança pode parecer pequena, mas, para uma banda que está apresentando uma nova formação e um novo álbum, ela representa bastante.

A recepção positiva funciona como uma espécie de confirmação de que o caminho escolhido está fazendo sentido.

“Uma Vida” ganhou uma nova dimensão ao vivo

Entre as músicas do novo álbum, “Uma Vida” foi citada pela banda como uma das que mais ganharam força quando chegaram aos palcos.

A faixa já havia chamado atenção durante o próprio processo de produção. Segundo o guitarrista Danilo Souza, quando a composição ficou pronta, a banda percebeu que ela tinha potencial para funcionar ao vivo:

“Quando a gente terminou (...), todo mundo se olhou e falou: ‘Mano, essa música vai ser da hora ao vivo, vai funcionar, a galera vai gostar’.”

A música se tornou um dos singles do disco e, com a chegada da turnê, ganhou ainda mais significado a partir da resposta do público.

Essa relação entre as músicas e o palco também trouxe uma surpresa para a própria banda. Algumas faixas, por serem mais lentas ou contemplativas, poderiam parecer difíceis de encaixar na dinâmica de um show mais intenso. Mas a reação da plateia mostrou que elas também tinham espaço.

“Às vezes a gente tem a brisa de ‘não vamos tocar esse som que ele é mais lento’ (...) e aí do nada você tá tocando e tem uma pessoa chorando ouvindo a música.”

Para Danilo, esse tipo de reação mostra que a experiência de um show não precisa estar apenas relacionada à energia física:

“Não é só bater cabeça também, né? Tipo, é ouvir a mensagem.”

Foi o que ficou evidente em Londrina. Enquanto algumas músicas provocavam uma explosão de energia, outras faziam o público simplesmente parar e sentir. Entre o mosh e os momentos de emoção, ficou claro que O Agora Que Cobra Viver encontra diferentes maneiras de chegar às pessoas.

O “pelinho do braço” também acontece no palco

Em entrevistas anteriores, o Bullet Bane contou que um dos termômetros utilizados durante a criação das músicas era bastante simples: o momento em que o famoso “pelinho do braço arrepia”.

Durante a conversa com a Glumy, a banda também comentou se esse mesmo sentimento já havia acontecido no palco, depois que as músicas chegaram ao público.

“Uma Vida” apareceu novamente entre os destaques. Para o guitarrista Fernando Uehara, a força da faixa está justamente na identificação que ela tem provocado em quem a escuta:

“A mensagem que ela traz (...) é uma parada que pra gente é muito real.”

Segundo Fernando, a banda tem recebido mensagens de pessoas que se identificaram com a música e que encontraram nela algo relacionado ao próprio momento que estavam vivendo.

“Mais Um Dia” e “Por Você” também foram citadas como faixas que têm provocado essa conexão.

Mas, para Fernando, esse sentimento não está restrito a uma única música. Ele atravessa o álbum inteiro:

“Eu acho que o álbum todo, de alguma forma, por ser muito real pra gente, ele acaba tendo esse contexto de emocionar.”

As músicas nascem de experiências reais do Bullet Bane, mas ganham vida própria quando encontram o público. Cada pessoa escuta, sente e encontra nas letras um significado diferente e é essa conexão que faz o álbum ultrapassar a experiência de simplesmente ouvir. 

O que uma banda procura quando chega a uma cidade nova?

Como essa era a primeira passagem do Bullet Bane por Londrina, também foi perguntado ao grupo o que eles procuram quando chegam a uma cidade pela primeira vez.

A resposta veio em meio aos risos e fugiu do esperado: antes de pensar em hotel, restaurante ou qualquer ponto turístico, a principal preocupação é o som.

Para a banda, ter um bom PA — sistema de som principal direcionado ao público — é fundamental para garantir uma boa experiência durante o show.

“Quando tá ruim, dá uma broxada em todo mundo, porque, tipo, a gente viajou mil km pra vir pra cá, a gente ensaia pra caramba, grava um disco, traz o sistema, aí vai tocar e o PA tá ruim, aí a gente fica na bad mesmo.”

A fala mostra um aspecto que muitas vezes passa despercebido por quem está na plateia: a experiência de um show começa muito antes de a banda subir ao palco. Entre ensaios, viagens e toda a preparação para uma apresentação, a estrutura de som também precisa estar à altura do que foi planejado.

No entanto, quando questionados sobre o que realmente faz um show ficar na memória, a resposta mudou completamente de direção. 

“Eu acho que é a interação com o público. Sempre.”, completa Lucas.

Já Andrew resumiu essa relação como a possibilidade de fazer diferença no dia de alguém:

“O quanto a gente fez a diferença no dia daquela pessoa, daquele grupo, que se preparou. Que saiu mais cedo do trabalho, porque ia vir no show do Bullet.”

E essa é uma das partes mais bonitas da experiência de acompanhar uma banda ao vivo: perceber que, para quem está no palco, aquele show também representa um momento importante na vida de quem está na plateia. 

A força dos shows menores

A conversa também trouxe uma percepção interessante sobre os shows mais intimistas.

Mesmo tendo experiência em apresentações grandes, Fernando contou que existe algo especial em tocar em espaços menores.

“Eu acho que é unânime entre nós, mas os shows menores eu sinto que a conexão entre as pessoas e a gente é muito maior.”

O motivo é simples: a proximidade permite enxergar a reação de quem está assistindo.

“Você realmente consegue enxergar a expressão da pessoa, o que ela está sentindo. Às vezes se ela está chorando, se ela está gritando.”

No Rocha's, isso ficou evidente.

A proximidade entre palco e público fez com que a apresentação parecesse muito mais um encontro do que simplesmente um show.

“Esperem muito por esse show”

Antes da apresentação, a banda também falou sobre o que esperava encontrar no público de Londrina. Os integrantes já sabiam que havia pessoas na cidade que acompanhavam o Bullet Bane há algum tempo, mas ainda não tinham tido a oportunidade de assistir a um show.

A estreia também era aguardada por eles. O baixista Rafael Goldin contou que estava esperando havia bastante tempo pela oportunidade de tocar em Londrina e que levar as músicas do novo álbum para a cidade tinha um significado especial.

“Vai ser muito especial levar essa mensagem para a galera de Londrina. É um remedinho, né? Um pontinho de esperança num mundo tão caótico.”

A expectativa, portanto, ia além de simplesmente apresentar o novo disco. Havia o desejo de criar uma conexão com quem estaria do outro lado do palco.

Para Lucas Guerra, a primeira apresentação na cidade era justamente uma oportunidade de transformar essa relação construída através das músicas em uma experiência compartilhada:

“Tem várias pessoas aqui que gostam da banda já tem um tempo, mas nunca tiveram a oportunidade de ir num show, né? Então a gente espera conseguir criar essa conexão, das pessoas curtirem o som e da gente estar ali cantando juntos as músicas. Porque a gente sabe que, se pra gente bate um sentimento, assim, pra um monte de gente bate. E aí o show é esse momento onde a gente está junto ali sentindo a mesma coisa.”

E a expectativa acabou encontrando resposta no palco.

O público cantou, pulou, abriu rodas e se emocionou durante a apresentação. A proximidade proporcionada pelo espaço também permitiu uma troca intensa entre banda e plateia.

Após a apresentação, os integrantes permaneceram próximos dos fãs, tirando fotos, conversando e compartilhando momentos com quem estava no local.

Para quem acompanhava o Bullet Bane há anos, mas nunca havia visto a banda ao vivo, a estreia em Londrina representou a oportunidade de finalmente transformar a relação construída pela música em um encontro presencial.

E, para a banda, a primeira passagem pela cidade terminou exatamente como eles esperavam: com música, troca e um público vivendo aquelas canções junto com eles.


O AGORA QUE COBRA VIVER - Album by Bullet Bane | Spotify

O Agora Que Cobra Viver

Se o show mostrou a força do Bullet Bane ao vivo, O Agora Que Cobra Viver revela ainda mais a dimensão dessa nova fase da banda.

O disco não tenta apagar aquilo que veio antes. Pelo contrário: reúne diferentes momentos da trajetória do Bullet Bane e coloca essas referências em diálogo com uma sonoridade mais moderna, criando um trabalho que transita entre intensidade, calmaria e diferentes atmosferas sem perder sua identidade.

A construção do álbum é um de seus grandes pontos fortes. As faixas se complementam e criam uma experiência que convida a ouvir o disco inteiro, sem a sensação de que alguma música está ali apenas para preencher espaço.

Mas são as letras que fazem O Agora Que Cobra Viver ganhar uma dimensão ainda maior.

Existe uma mensagem forte de urgência, transformação e, principalmente, vontade de viver. As músicas falam sobre sentimentos e experiências reais, mas encontram espaço para que cada ouvinte se reconheça nelas de uma maneira diferente.

É um álbum que provoca identificação, reflexão e emoção.

E, quando essas mesmas músicas chegam ao palco, essa característica se torna ainda mais evidente. Durante o show em Londrina, momentos de euforia dividiram espaço com pessoas cantando emocionadas e se entregando às letras, mostrando como as canções podem assumir novos significados quando encontram o público.

Em uma conversa fora das câmeras, Rafael também revelou um detalhe interessante sobre a identidade visual do disco. Quando o designer Felipe Costa apresentou a arte, a identificação foi imediata: para a banda, aquela imagem transmitia exatamente o que eles queriam representar naquele momento.

A capa conversa diretamente com o conceito do álbum, sentimento, intensidade, transformação e urgência.

O Agora Que Cobra Viver parece fazer exatamente aquilo que seu título propõe: cobra presença, cobra escolhas e cobra que a vida seja vivida enquanto ela acontece.

Por isso, depois de ouvir o álbum inteiro, a vontade é simplesmente de apertar o play novamente.

Ouça agora: 


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