O primeiro São Paulo Independent Music (SPIM) reuniu, entre os dias 12 e 16 de agosto, diferentes nomes da cena independente em casas de shows espalhadas pela capital paulista. Com a proposta de fortalecer a música underground e a cena hardcore, o festival passou por diferentes espaços e encerrou sua primeira edição com uma programação que celebrou justamente a diversidade e a força desses artistas.
Entre os nomes que passaram pelo evento estavam Chococorn and the Sugarcanes, Metade de Mim e Budang. Para fechar a programação, a Bad Luv subiu ao palco para um momento especialmente importante na trajetória da banda: o último show da era de NÓS, álbum que marcou um capítulo significativo de sua história.
A apresentação também serviu como ponto de partida para uma nova fase. Antes de deixar o ciclo de NÓS definitivamente para trás, a banda conversou com a Glumy sobre o próximo disco, o processo criativo de “Furacão” — primeiro passo concreto dessa nova sonoridade — e a chegada de Esteban Tavares às guitarras durante o afastamento de Gee Rocha.
Assista a um momento da apresentação:
Um novo álbum já está a caminho
Com o encerramento da era NÓS, uma das principais expectativas em torno da Bad Luv está justamente no próximo capítulo. A banda confirmou que um novo álbum será lançado ainda no segundo semestre e deixou no ar a possibilidade de que as primeiras novidades cheguem antes mesmo do que o público imagina.
Sem revelar muitos detalhes, Caio Weber adiantou que o grupo já tem planos concretos para o lançamento.
“Eu posso dizer que vai ter um álbum, vai ter um disco novo no segundo semestre. Talvez antes do que a pessoa que tá vendo essa entrevista saiba. Talvez tenhamos novidades muito em breve.”
A confirmação, porém, veio acompanhada de um pequeno mistério. Quando questionado sobre o título do novo trabalho, o músico foi direto:
“Mas o nome ainda não posso falar.”
Embora os detalhes ainda estejam sendo mantidos em segredo, uma coisa já está clara: a Bad Luv está preparando um trabalho que representa uma mudança de direção para a banda.
E essa transformação começou a ganhar forma antes mesmo do encerramento oficial da era NÓS.
“Furacão” foi o ponto de partida para a nova fase
Lançada como um dos trabalhos mais recentes da banda, “Furacão” chamou atenção pela intensidade de sua letra e pela maneira como transforma sentimentos de vulnerabilidade, resistência e escuridão em música.
A faixa traz versos marcados por uma forte carga emocional, como “Sou o vento que impulsiona o furacão” e “Mas eu também já quis deixar de existir”, construindo uma narrativa que combina fragilidade e força — elementos que também ajudam a antecipar o caminho que a Bad Luv pretende seguir no próximo álbum.
Segundo Caio Weber, “Furacão” não foi apenas mais um lançamento. A música foi, na realidade, a primeira composição criada já pensando no novo disco.
“É interessante, porque Furacão foi justamente a primeira música que a gente fez pensando nesse novo álbum. Ela surgiu naquela época que a gente fez aquela outra entrevista. Inclusive, talvez naquela semana.”
Naquele período, a Bad Luv estava na estrada com a turnê de NÓS. Foi durante essa fase que a composição apareceu, ainda de maneira bastante embrionária.
Caio conta que, inicialmente, chegou a ficar receoso de apresentar a música aos outros integrantes. O primeiro a ouvi-la foi Jhonny, descrito pelo músico como seu “parceiro de crime”.
O problema é que o segredo não durou muito.
“Eu mostrei para todo mundo. Só que ele não aguentou, ele mostrou para todo mundo. Eu falei, Jhonny, não tem refrão ainda, não mostra para ninguém.”
A resposta veio acompanhada de uma conclusão simples e bem-humorada:
“Já era.”
A partir daquele momento, “Furacão” passou a ganhar forma coletivamente e acabou se tornando uma espécie de bússola para o próximo trabalho da banda. Mais do que inaugurar uma nova etapa, a faixa ajudou a estabelecer os caminhos sonoros e temáticos que seriam explorados no disco.
“Eu acho que a Furacão foi justamente a música que, de certa forma, ditou um pouco da sonoridade e até mesmo da temática do disco.”
A importância da música para a nova fase foi tamanha que o processo criativo ganhou até uma ameaça em tom de brincadeira.
“Eu falei para os caras que, se eles não aceitassem, eu ia tirar todo mundo da banda.”
Entre risadas e provocações, a história revela algo importante sobre o novo álbum: a Bad Luv parece estar entrando em uma fase na qual a identidade sonora da banda parte de um processo cada vez mais coletivo, mas também mais determinado sobre o que os integrantes querem construir.
Esteban Tavares e uma conexão que vem de antes da banda
Outro assunto que apareceu durante a conversa foi a presença de Esteban Tavares nas guitarras. O músico passou a tocar com a Bad Luv durante o período em que Gee Rocha se afastou das atividades da banda para acompanhar o nascimento e os primeiros momentos ao lado de sua filha.
A escolha, porém, está longe de ser uma coincidência ou uma parceria que surgiu apenas pela necessidade de substituir um integrante.
A relação entre Tavares e os integrantes da Bad Luv vem de muitos anos. Peracetta relembrou que, quando chegou a São Paulo, chegou a morar com Esteban e Jhonny.
“Pra quem não sabe, o Esteban Tavares, eu, ele e o Jhonny, os dois moravam juntos. Aí eles me deram moradia por um tempo, quando eu cheguei em São Paulo.”
A lembrança rapidamente se transformou em uma sequência de brincadeiras entre os integrantes.
“Tão bonitinho.”
“Mas o maior erro, né?”
“Maior erro.”
“O maior erro da vida dos dois, de ser bem-vindo até hoje.”
Por trás da piada, existe uma amizade construída há muito tempo. A proximidade entre eles acabou tornando natural a chegada de Tavares à banda.
“Então temos um vínculo. A Tavares toca com a gente, já tem a conexão. Muito amigo, há muito tempo, na real. É muito tempo, desde sempre. Nosso ídolo. Nosso amigo.”
A resposta para quem estaria responsável pelas guitarras durante esse período, portanto, parecia bastante óbvia.
“Quem que vai tocar?”
“Tavares.”
E estava decidido.
Uma nova fase depois de “NÓS”
A apresentação no São Paulo Independent Music ganhou, dessa forma, um significado especial para a Bad Luv. Mais do que encerrar a trajetória de NÓS nos palcos, o show marcou a passagem entre dois momentos diferentes da banda.
De um lado, fica o ciclo de um álbum que acompanhou o grupo durante uma turnê e ajudou a consolidar sua identidade. Do outro, surge uma nova etapa, que já começa a ser desenhada por “Furacão” e deve ganhar forma definitiva no próximo disco.
Ainda cercado de mistério, o álbum tem lançamento previsto para o segundo semestre e, segundo a própria banda, pode trazer novidades muito em breve.
Se “Furacão” serve como uma primeira pista, a Bad Luv parece disposta a explorar novos caminhos sem abandonar a intensidade que sempre esteve presente em sua música. O resultado dessa transformação, agora, deve aparecer pouco a pouco — até que a nova era esteja finalmente pronta para ser apresentada ao público.
Por enquanto, o nome do álbum continua em segredo. A sonoridade, porém, já começou a dar as caras.
Assista a entrevista:

