AnúnciosGlumy MusicAnúnciosDo mainstream ao undergroundAnúnciosDescobertasAnúnciosShows & FestivaisAnúnciosEntrevistasAnúnciosEntretenimentoAnúnciosLançamentosAnúnciosGlumy MusicAnúnciosDo mainstream ao undergroundAnúnciosDescobertasAnúnciosShows & FestivaisAnúnciosEntrevistasAnúnciosEntretenimentoAnúnciosLançamentosAnúnciosGlumy MusicAnúnciosDo mainstream ao undergroundAnúnciosDescobertasAnúnciosShows & FestivaisAnúnciosEntrevistasAnúnciosEntretenimentoAnúnciosLançamentos
Glumy
Entrevistas

Serena mostra força do rock alternativo no Colisão Sounds, em Londrina

Banda londrinense abriu o evento no Rocha's Rock Bar e mostrou uma sonoridade que mistura referências dos anos 2000, peso, melodia e críticas ao cotidiano

Por Gislene Ana · 23 de ago. de 2026
Serena mostra força do rock alternativo no Colisão Sounds, em Londrina
Ouvir esta matéria

A banda Serena vem construindo sua trajetória desde 2020. O projeto começou de forma solo, idealizado por Yuri Muller, diante da dificuldade de encontrar integrantes para formar uma banda. O que começou como uma produção individual ganhou novos caminhos nos anos seguintes, com a chegada de Jacques Chiba, na bateria, em 2023, Renan Tonello, na guitarra e vocal, em 2024, e Alan Fontoura, no baixo.

A formação atual se apresentou na abertura do Colisão Sounds, no Rocha's Rock Bar, em Londrina, levando ao palco uma mistura de punk, rock alternativo, pop punk, riffs que remetem ao nu metal e elementos da música pop.

O resultado é uma sonoridade que transita entre peso e melodia, acompanhada por letras que abordam questões pessoais, críticas sociais, ansiedade e situações comuns da vida contemporânea. No palco, essa mistura ganha ainda mais força com a presença descontraída dos integrantes, que incorporam humor e interação com o público à apresentação.

Uma música para apresentar a Serena

Para quem ainda não conhece a Serena, a primeira pergunta foi simples: qual música da banda deveria ser ouvida por alguém que está chegando agora?

A resposta acabou revelando um pouco da própria diversidade da banda. Entre as sugestões apareceram “Bomba Relógio”, “Contramão”, “Caos” e “Perto do Fim”. Depois de algumas opiniões e até uma mudança de escolha no meio da conversa, “Perto do Fim” acabou ganhando força como uma das principais recomendações.

A faixa funciona como uma boa porta de entrada para a sonoridade da Serena. Com peso e melodia caminhando juntos, a música apresenta uma das características que marcam o trabalho da banda, uma mistura de referências que passa pelo punk, rock alternativo e elementos mais pesados.

Além disso, “Perto do Fim” também conta com um clipe, acrescentando uma dimensão visual à experiência.

“Eu acho que seria interessante para a pessoa já conhecer de cara qual é a vibe da banda, do estilo de som. Ele é um pouco pesadinho, mas é meio melódico também.”

“Bomba Relógio” também merece atenção especial. A faixa mergulha em temas como ansiedade, excesso de pensamentos, incertezas e o peso das decisões que acompanham a vida adulta. É uma música que transforma aquela sensação de estar com a cabeça funcionando a mil por hora em algo que pode ser compartilhado por quem está ouvindo.

“Persisto Existo” traz outra perspectiva e aparece como uma espécie de lembrete de resistência, uma música sobre continuar, mesmo quando as coisas não parecem simples.

Essa variedade de respostas também ajuda a apresentar a Serena: não existe apenas uma porta de entrada para a banda. Cada música revela um pedaço diferente daquilo que eles estão construindo.

Mais do que ouvir: sentir-se acolhido

A pergunta seguinte foi sobre o que a banda gostaria que alguém sentisse depois de ouvir uma música da Serena.

A resposta de Renan Tonello (guitarra e vocal) veio acompanhada de uma ideia que resume boa parte da proposta do grupo:

“Quero que a galera se sinta abraçada, na real. Tipo, pessoas compartilhando mesmo das mesmas tristezas e agonias às vezes que a gente fala nas músicas.”

A palavra “acolhido” também apareceu durante a conversa.

A intenção combina diretamente com os temas presentes nas músicas. Ansiedade, incerteza, cansaço, frustrações e dificuldades da vida adulta aparecem não apenas como problemas individuais, mas como experiências que podem ser compartilhadas.

“Persisto Existo” também surgiu durante a conversa como uma dessas mensagens de força que a banda deseja transmitir.

No fim, mais do que oferecer respostas, a Serena parece interessada em criar identificação. A música nasce de experiências particulares, mas encontra sentido quando outra pessoa consegue enxergar a própria história dentro delas.

De projeto solo a uma banda com identidade própria

A Serena começou com Yuri Muller, que compôs e construiu o projeto inicialmente de forma independente. Com a chegada dos outros integrantes, porém, a banda passou a assumir uma identidade coletiva.

Durante a entrevista, os integrantes destacaram que um dos momentos importantes dessa transformação aconteceu quando cada um passou a se identificar genuinamente com aquilo que estava sendo criado.

Para Jacques Chiba (bateria), essa identificação foi fundamental para que a banda conseguisse transmitir sua proposta ao público:

“O Yuri compôs e construiu todo o álbum. Mas o importante é que cada um de nós, da banda, nós fomos os primeiros a se identificar com o som.”

Essa conexão interna acabou se refletindo também na relação com quem acompanha a banda:

“Aí o público começou a se identificar conosco.”

Jacques também destacou a importância das pessoas que permaneceram próximas ao projeto ao longo dessa trajetória:

“As pessoas boas ficaram e fortalecem a gente cada vez mais.”

A trajetória, portanto, não foi construída apenas pelas músicas, mas também pelas relações criadas ao redor delas.

Fazer rock em uma cidade conhecida pelo sertanejo

Se existe um desafio particular para uma banda independente de rock em Londrina, ele está justamente em encontrar espaço em uma cidade cuja identidade musical é fortemente associada ao sertanejo.

A questão foi colocada diretamente para a Serena, e Renan resumiu o cenário em duas palavras:

“Muito difícil.”

Para o guitarrista e vocalista, além da dificuldade de alcançar novos públicos, existe outro obstáculo dentro da própria cena alternativa: a falta de união entre artistas que trabalham com estilos semelhantes.

“Em vez de todo mundo se unir, a gente se separa.”

A fala aponta para uma questão maior sobre a cena independente: não basta existir público interessado. Também é preciso criar espaços de colaboração, divulgação e valorização para que diferentes artistas consigam crescer.

Ainda assim, a Serena continua construindo seu espaço dentro desse cenário, levando uma proposta que não tenta competir com o que já existe, mas encontrar seu próprio público.

O que muda quando a Serena chega ao palco?

A diferença entre ouvir uma banda no streaming e encontrá-la ao vivo também foi abordada durante a entrevista.

Para Yuri Muller (vocal e guitarra), a principal diferença está na energia que a banda consegue transmitir no palco:

“Eu acho que é a energia nossa no palco. É a Serena ao vivo.”

“Mais Um Dia” também foi citada como uma das faixas que melhor demonstra essa diferença. Segundo os integrantes, algumas músicas ganham outra dimensão quando executadas diante do público.

Renan, que divide os vocais com Yuri, acrescentou outro elemento à experiência ao vivo: enquanto no material gravado as vozes seguem uma estrutura definida, no palco a dinâmica entre os integrantes transforma a execução das músicas.

E, como Alan Fontoura (baixo) brincou durante a conversa, existem também os “erros notáveis”.

O comentário, acompanhado de risadas, resume um pouco da personalidade que aparece no palco: a Serena não parece interessada em construir uma apresentação excessivamente rígida. O humor e a espontaneidade também fazem parte da experiência da banda ao vivo.

Confira alguns trechos da entrevista:

Uma banda que transforma nostalgia em identidade

Assistir à Serena ao vivo ajuda a entender por que a banda consegue transmitir uma sensação tão familiar e, ao mesmo tempo, atual.

A sonoridade traz referências claras do pop punk e do rock dos anos 2000, remetendo à energia de bandas como Blink-182, mas não se limita à nostalgia. Riffs mais pesados, elementos de nu metal e momentos próximos da música pop ampliam essa identidade.

O resultado conversa com um movimento que voltou a ganhar força nos últimos anos: a valorização estética e sonora da cultura dos anos 2000. Mas a Serena não parece simplesmente reproduzir aquele período. Ela utiliza essas referências para falar sobre o presente.

Ansiedade, excesso de pensamentos, decisões, esgotamento profissional e as contradições da vida adulta aparecem nas letras de uma maneira que pode ser reconhecida por quem vive esse momento.

“Bomba Relógio” é um bom exemplo disso. A música transforma a sensação de estar constantemente pensando, escolhendo e tentando dar conta da própria vida em uma experiência sonora que mistura peso e melodia.

“Perto do Fim” segue por outro caminho, utilizando a sátira para falar sobre o ambiente corporativo e a exaustão de passar boa parte da vida em um trabalho que não necessariamente traz realização.

São temas sérios, mas a Serena não os apresenta de maneira pesada o tempo inteiro. O humor dos integrantes e a energia do palco criam um contraste interessante: existe crítica, mas também existe diversão.

E é justamente essa combinação que torna a banda interessante.

E o show?

A apresentação no Colisão Sounds mostrou uma Serena que parece entender bem o tipo de experiência que quer proporcionar.

As músicas carregam peso, mas o palco é ocupado também por brincadeiras, interação e uma energia bastante espontânea. A banda não fica restrita à execução das faixas: os integrantes conversam, brincam e criam uma relação próxima com quem está assistindo.

Para uma banda que ainda está construindo seu espaço na cena de Londrina, essa proximidade pode ser uma das maiores forças.

A Serena ainda está escrevendo sua história, mas já demonstra ter algo importante para uma banda independente: uma identidade reconhecível.

Existe a nostalgia dos anos 2000, mas também existe a vontade de falar sobre o presente. Existe peso, mas também melodia. Existe crítica, mas também humor.

E, principalmente, existe a tentativa de transformar experiências individuais em algo que outras pessoas possam ouvir e pensar:

“Eu também sinto isso.”

Compartilhar
WhatsAppTwitterFacebook
Leia também

Relacionadas