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Entre o ritual e a revolução, Greentea Peng encontra São Paulo

Greentea Peng transforma sua estreia em São Paulo em uma experiência sensorial marcada por música, presença e consciência política

Por AKAI · 04 de ago. de 2026
Entre o ritual e a revolução, Greentea Peng encontra São Paulo
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Autodenominada Greentea Peng, Aria Wells nasceu e cresceu em Londres, carregando consigo a herança cultural diaspórica vinda de sua mãe, natural de Trinidad e Tobago, e de seu pai, com origem árabe. Tudo isso se fez presente no Audio, onde, no dia 08 de abril, com a casa lotada e colorida de verde, Greentea fez seu show de estreia em terras paulistas e trouxe aos fãs tantos presentes quanto os que recebeu no palco. Peng e sua banda deram ao público uma vivência única e marcante, na qual parte de sua discografia ganhou nova dimensão através de arranjos e da presença magnética.

Como se um gigante caminhasse sobre o palco, Greentea se apresentou como quem conhece muito de si e do mundo. Suas letras, que refletem sobre autoconhecimento, transformação e política, unindo dub, jazz e soul a sintetizadores e linhas de baixo profundas, soam como um genuíno abraço à humanidade — delicadeza e processos que parecem tão pessoais e, ao mesmo tempo, coletivos.

O setlist, que pareceu ter sido escolhido a dedo, fugiu completamente do óbvio, trazendo sonoridades e momentos muito bem costurados que dialogavam entre si com fluidez, mostrando a brilhante seletividade que Greentea é. "Bali Skit" deu o tom ritualístico do início, seguida por "Make Noise", "Green", "Loving Kind" e "Spells", fazendo uma viagem por diferentes momentos de sua carreira. Já em "Revolution", vimos a artista se posicionar politicamente, pedindo liberdade à Palestina, ao Irã, ao Congo e a diversas nações que sofrem com o genocídio, sendo abraçada pelos fãs.

Mesmo de corpo presente, Greentea parece se desligar do material enquanto se apresenta, e sua banda a acompanha como se fosse o primeiro e o último respiro. Acredito que essa seja a sua magia: o poder de transmutar e atravessar barreiras com voz e coração.

Por fim, meu momento preferido foi a faixa "Hu Man", na qual Peng e seu guitarrista, sozinhos e sob luz focal, se entregaram a uma performance intimista e sedutora.

Um show que foi, definitivamente, sensorial, indo além da esfera sonora. Com toda a certeza, afirmo que foi um dos meus shows preferidos.

E como descreve Conceição Evaristo, ao narrar o Menino Rouxinol: "quem ouvia o seu contar-cantar muito se admirava" (EVARISTO, 2016, p. 71).

EVARISTO, Conceição. Histórias de leves enganos e parecenças. Rio de Janeiro: Malê, 2016.


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